
A hanseníase ainda é cercada por mitos, medo e desinformação, embora seja uma doença antiga, conhecida e com tratamento gratuito no Brasil. Por isso, é importante deixar claro: hanseníase tem cura.
Segundo o Ministério da Saúde, a condição não é apenas uma questão médica, mas também social, pois o estigma histórico ainda afeta muitas pessoas. Por isso, entender o que é a doença, como ela se manifesta e como é o tratamento é um passo essencial para o cuidado com a pele e com a saúde como um todo.
O que é hanseníase e por que ela ainda existe?
A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, também conhecida como bacilo de Hansen.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), ela existe há mais de 4 mil anos e já foi chamada de “lepra”, termo que hoje não deve mais ser utilizado por seu caráter discriminatório.
Apesar de antiga, a hanseníase ainda é um problema de saúde pública no Brasil. O Ministério da Saúde destaca que o país ocupa a segunda posição mundial em número de casos novos.
Isso não significa que a doença seja altamente contagiosa, mas sim que o diagnóstico tardio e a falta de informação ainda dificultam o controle.
A transmissão acontece apenas quando há contato próximo e prolongado com uma pessoa não tratada e na forma transmissora da doença. Abraços, uso de talheres, roupas ou objetos pessoais não transmitem hanseníase, algo que a SBD reforça.
Sinais e sintomas que merecem atenção
Os sinais da hanseníase costumam surgir lentamente, o que pode atrasar a procura por ajuda médica. Conforme explica o Ministério da Saúde, a doença afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Os sintomas mais comuns incluem:
- manchas na pele mais claras, avermelhadas ou escurecidas;
- alteração ou perda de sensibilidade ao calor, frio, dor ou toque;
- dormência ou formigamento em mãos e pés;
- diminuição da força muscular;
- áreas da pele sem suor ou pelos.
A SBD complementa que, em fases mais avançadas, podem surgir nódulos dolorosos e inflamações, principalmente em áreas mais frias do corpo, como orelhas, cotovelos e pés.
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Complicações quando não tratada
Quando o diagnóstico não é feito a tempo, a hanseníase pode causar complicações importantes. Segundo o Ministério da Saúde, muitas delas estão relacionadas às lesões nos nervos, que podem gerar limitações funcionais. Entre as principais complicações estão:
- perda permanente de sensibilidade;
- fraqueza muscular e deformidades;
- dores neuropáticas persistentes;
- dificuldade para caminhar ou realizar atividades manuais.
Além das consequências físicas, o impacto emocional e social também é relevante. O estigma e a discriminação ainda podem afastar pessoas do convívio social e até dos serviços de saúde, perpetuando o ciclo da doença.
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Diagnóstico e tratamento da hanseníase
O diagnóstico da hanseníase é feito principalmente por meio do exame clínico dermatológico e neurológico. De acordo com o Ministério da Saúde, o profissional avalia a pele, a sensibilidade e os nervos periféricos.
Em alguns casos, exames complementares como baciloscopia ou biópsia podem ser solicitados. Em crianças, a avaliação precisa ser ainda mais cuidadosa, uma vez que casos infantis indicam transmissão ativa no ambiente familiar.
Já o tratamento é feito com a Poliquimioterapia Única (PQT-U), uma terapia que combina os antimicrobianos rifampicina, dapsona e clofazimina.
Segundo o Ministério da Saúde, essa associação é fundamental porque impede que a bactéria se torne resistente aos medicamentos, aumentando as chances de cura. A duração do tratamento varia conforme a forma da hanseníase:
- 6 meses para formas paucibacilares (quando há poucos bacilos no corpo e a doença costuma se manifestar de forma mais limitada);
- 12 meses para formas multibacilares (em que existe uma maior quantidade de bactérias, com maior risco de comprometimento dos nervos e da pele).
Logo após o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença. O Ministério da Saúde reforça que, por isso, não é necessário isolamento, nem internação.
Prevenção da hanseníase e a importância da informação
A prevenção está diretamente ligada ao diagnóstico precoce, ao tratamento adequado e à avaliação dos contatos próximos. Além disso, a vacina BCG pode ser indicada para fortalecer a resposta imunológica de pessoas que convivem com o paciente.
Consultar um dermatologista com regularidade também é um ponto-chave na prevenção. Afinal, o profissional pode identificar alterações sutis na pele e na sensibilidade, muitas vezes ainda em fases iniciais da hanseníase. Quanto mais cedo a doença é reconhecida, maiores são as chances de evitar complicações, sequelas e a transmissão.
Entender a hanseníase é uma forma poderosa de combater o preconceito, cuidar da pele e proteger a saúde coletiva.
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