
As lesões de pele benignas fazem parte da vida da maioria das pessoas e, na maior parte das vezes, não representam nenhum risco à saúde. Desde as primeiras fases da vida adulta, é comum perceber pintas, manchas, pápulas ou pequenas elevações na pele que surgem sem causar sintomas.
Ainda assim, nem tudo o que parece inofensivo deve ser ignorado. Algumas lesões cutâneas aparentemente simples podem esconder condições clínicas que merecem atenção médica, o que reforça a importância da avaliação dermatológica regular.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), conhecer a própria pele e observar mudanças ao longo do tempo é um dos pilares do cuidado preventivo.
Por que nem toda lesão aparentemente benigna é tão simples?
É natural associar o termo “benigno” à ausência de risco. No entanto, muitas lesões não cancerígenas podem apresentar características clínicas e até dermatoscópicas semelhantes às de tumores malignos, como o melanoma ou outros tipos de câncer de pele.
Além disso, algumas lesões passam por alterações ao longo do tempo, seja por fatores hormonais, exposição solar ou processos inflamatórios.
De acordo com a SBD, é justamente essa semelhança visual que torna a avaliação profissional tão importante, já que o diagnóstico correto não deve ser feito apenas “a olho nu” pelo paciente.
Lesões de pele comuns que costumam gerar dúvidas
Existem várias lesões de pele benignas que aparecem com frequência e costumam preocupar pacientes, principalmente quando mudam de aspecto. Entre as mais comuns, destacam-se:
- dermatofibroma;
- queratose seborreica;
- angioma;
- hiperplasia sebácea;
- ceratose tipo líquen plano (LPLK).
Segundo o Grupo Brasileiro de Melanoma, algumas dessas lesões podem, em determinadas situações, simular clinicamente ou dermatoscopicamente um melanoma, o que reforça a necessidade de avaliação especializada.
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Dermatofibroma: pequeno, firme e geralmente inofensivo
O dermatofibroma é uma lesão benigna bastante comum, principalmente em mulheres e nas pernas. Conforme explica a SBD, ele costuma surgir como uma pápula ou nódulo firme, de coloração acastanhada, que afunda levemente ao ser comprimido lateralmente.
Apesar de geralmente assintomático, pode causar dor em alguns casos. Ainda que não necessite tratamento na maioria das vezes, sua aparência pode gerar confusão com pintas ou outros sinais, tornando a avaliação dermatológica essencial para tranquilizar o paciente ou indicar conduta adequada.
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Queratose seborreica e ceratose tipo líquen plano: atenção às semelhanças
A queratose seborreica é uma das lesões benignas mais frequentes em pessoas mais velhas. Ela pode variar bastante de cor e tamanho, indo do marrom claro ao preto, e costuma ter aspecto “grudado” na pele.
Embora muitas sejam facilmente reconhecidas, algumas apresentações podem simular lesões malignas.
Já a ceratose tipo líquen plano (LPLK), considerada uma lesão inflamatória benigna, pode surgir como máculas ou placas rosadas ou acastanhadas. Segundo o Grupo Brasileiro de Melanoma, essas lesões podem ter diagnósticos diferenciais importantes, como carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular ou até melanoma, o que exige atenção redobrada.
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Quando uma lesão deve ser avaliada por um dermatologista?
De acordo com a SBD, qualquer lesão que apresente mudança de cor, formato, tamanho ou sintomas merece avaliação. A famosa Regra do ABCDE ajuda na observação inicial, mas não substitui a consulta médica. Alguns sinais de alerta incluem:
- crescimento rápido ou mudança recente;
- bordas irregulares;
- variação de cores;
- sangramento ou feridas que não cicatrizam;
- coceira, dor ou inflamação persistente.
Mesmo lesões antigas podem precisar de reavaliação se passarem por alterações ao longo do tempo.
É importante reforçar que a maioria das lesões de pele é benigna e não evolui para câncer. No entanto, conforme destaca a SBD, o diagnóstico precoce é fundamental para bons desfechos, especialmente nos casos em que uma lesão aparentemente simples esconde uma condição mais séria.
Consultar um dermatologista regularmente, realizar o autoexame da pele e manter hábitos de fotoproteção são atitudes que fazem parte do cuidado integral com a saúde cutânea. Assim, é possível agir com tranquilidade, informação e prevenção, sem medo, mas também sem negligência. Cuidar da pele é, acima de tudo, um ato de atenção consigo.
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