
O formol pode, sim, ter relação com queda de cabelo, quebra dos fios e outros danos importantes à saúde. Embora muita gente ainda associe o produto apenas ao efeito de alisamento, a verdade é que, quando usado de forma irregular ou em concentrações inadequadas, os riscos vão muito além da estética.
Ao longo dos anos, o alisamento capilar se popularizou no Brasil, principalmente com a escova progressiva. No entanto, conforme alertam a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso indevido do formol em procedimentos capilares pode provocar danos sérios à saúde.
Por isso, entender essa relação é essencial para quem quer cuidar da beleza sem comprometer a saúde.
Afinal, o formol pode causar queda de cabelo?
Sim, pode. A queda de cabelo associada ao formol pode acontecer de forma imediata, em tufos, quando há exposição a concentrações elevadas, ou de maneira gradual, o que muitas vezes dificulta a identificação da causa logo no início.
Além disso, segundo a SBD, o contato com produtos que contenham formol ou substâncias que possam liberá-lo pode causar quebra da fibra capilar, ressecamento intenso e enfraquecimento dos fios.
Ou seja, em muitos casos, a pessoa percebe primeiro que o cabelo está quebrando mais, perdendo resistência e ficando opaco. Depois, começa a notar a redução de volume.
Conforme explica a Anvisa, o formol não pode ser utilizado como alisante capilar no Brasil. A legislação permite apenas concentração de até 0,2% em cosméticos, com função conservante, e não para alisar os cabelos.
Portanto, quando ele aparece como ativo principal do procedimento, o uso é irregular e representa um risco.
Por que os alisantes podem enfraquecer os fios?
Nem todo alisante causa danos graves, mas qualquer processo químico altera a estrutura do fio. Por isso, quando o produto é inadequado, incompatível com outras químicas ou aplicado de forma errada, o cabelo pode sofrer bastante.
Isso acontece porque o alisamento mexe diretamente na estrutura capilar. Como resultado, os fios podem perder água, massa e elasticidade. Dessa forma, ficam mais vulneráveis à quebra e ao afinamento. Entre os principais problemas estão:
- quebra da haste capilar;
- enfraquecimento da fibra;
- ressecamento intenso;
- sensibilidade no couro cabeludo;
- queda relacionada à agressão química.
Além disso, a SBD lembra que alguns salões usam nomes atrativos, como escova marroquina, inteligente, egípcia, selagem ou “botox” capilar, para mascarar fórmulas irregulares. Por isso, o nome do procedimento não garante segurança. O que importa, de fato, é a composição do produto e seu registro na Anvisa.
Nem toda queda é pela raiz, às vezes, é quebra
Muitas pessoas dizem que o cabelo está “caindo”, quando, na verdade, ele está quebrando no comprimento. Isso é comum após alisamentos agressivos, principalmente quando há uso de calor intenso, como secador e chapinha, junto de ativos inadequados.
A quebra acontece porque a haste capilar perde resistência. Nesse cenário, o fio parte no meio ou nas pontas, dando a sensação de queda mais intensa. Já a queda verdadeira envolve a saída do fio pela raiz, o que pode indicar inflamação do couro cabeludo, dermatite, reação química ou até quadros de alopecia desencadeados ou agravados pelo procedimento.
Outros problemas que podem surgir com o alisamento de cabelo
A relação entre formol, alisantes e saúde não se limita ao cabelo. Segundo a cartilha da SBD sobre os riscos do formol, o contato com essas substâncias pode provocar sintomas na pele, nos olhos e nas vias respiratórias.
Além disso, pode ocorrer alopecia de tração. Embora ela não seja causada diretamente pelo formol, pode aparecer em pessoas que, após alisar os fios, passam a prender o cabelo com muita tensão ou insistem em penteados apertados em fios já fragilizados. Nesse contexto, o dano químico e a tração mecânica podem se somar.
Saiba mais: Riscos do formol vão além da possível queda dos fios de cabelo
Como identificar sinais de alerta antes que o problema piore?
Nem sempre o dano aparece no mesmo dia. Ainda assim, alguns sinais pedem atenção rápida. Conforme orientam a SBD e a Anvisa, é importante suspender imediatamente o uso do produto ao perceber sintomas incomuns.
Além disso, grávidas, mulheres que amamentam e crianças não devem se expor a esse tipo de risco.
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O que fazer em caso de queda de cabelo por formol?
O primeiro passo é interromper novos procedimentos químicos. Em seguida, o ideal é procurar avaliação médica, de preferência com dermatologista, pois o tratamento vai depender do tipo de dano: quebra, queda por inflamação, dermatite ou agressão ao couro cabeludo.
Em alguns casos, o especialista pode indicar abordagens para estimular a recuperação capilar, como terapias de bioestimulação, uso de ativos específicos e suplementação quando houver necessidade clínica.
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Alisantes de cabelo seguros sem formol
Existem substâncias permitidas para alisamento capilar, desde que usadas corretamente e em produtos regularizados. Entre elas estão ácido tioglicólico e alguns hidróxidos, sempre com indicação adequada para cada tipo de cabelo.
Por isso, antes de fazer qualquer alisamento:
- verifique se o produto tem registro na Anvisa;
- confira rótulo, validade e modo de uso;
- desconfie de promessas milagrosas;
- evite procedimentos com cheiro muito forte;
- converse com um profissional responsável e, se necessário, com um dermatologista.
Segundo a SBD e a Anvisa, o mais importante é priorizar produtos regularizados e não normalizar sintomas como ardência, fumaça, cheiro forte ou irritação durante o alisamento. Afinal, cabelo bonito não deve custar a saúde.
Antes de ir, acesse o blog Dra. Carla Bortoloto e confira outras dicas de saúde, autocuidado e beleza.




