Psoríase em crianças: sinais que merecem atenção

O que pais e cuidadores precisam saber sobre psoríase em crianças

Criança sorridente recebe atendimento médico para ferimento em seu braço por mulher com jaleco. Ambiente clínico claro.

Alterações persistentes na pele infantil merecem atenção, principalmente quando surgem manchas avermelhadas acompanhadas de descamação. A psoríase em crianças é menos frequente do que em adultos, mas pode aparecer em qualquer idade, inclusive nos primeiros anos de vida.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), uma parcela dos casos de psoríase começa antes dos 16 anos. Como os sinais podem se confundir com dermatite, alergia ou até caspa, a avaliação de um dermatologista é indispensável para evitar tratamentos inadequados e desconforto prolongado.

O que é psoríase em crianças?

A psoríase é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a pele. Ela costuma alternar períodos de melhora com fases de piora, chamadas de crises ou exacerbações.

A doença acontece por uma combinação entre predisposição genética e fatores que estimulam uma resposta exagerada do sistema imunológico. Como resultado, as células da pele se renovam mais rapidamente do que deveriam, provocando placas avermelhadas e descamação.

Um ponto que precisa ficar claro desde o início é que a psoríase não é contagiosa. Portanto, a criança pode brincar, estudar, nadar e manter contato físico com outras pessoas sem transmitir a condição.

Quais são os primeiros sinais de psoríase infantil?

Os sinais variam conforme a idade e o tipo de psoríase. Entretanto, a apresentação mais comum envolve placas avermelhadas, bem delimitadas e cobertas por escamas esbranquiçadas ou prateadas.

Conforme explica a SBD, as lesões podem aparecer de maneira simétrica e atingir principalmente o couro cabeludo, o tronco e a parte externa dos braços e das pernas. Nas crianças, também é comum o envolvimento do rosto, das dobras, das mãos, dos pés e da região genital.

Entre os sintomas que merecem avaliação estão:

  • manchas vermelhas que não desaparecem;
  • descamação persistente;
  • coceira ou sensibilidade;
  • placas no couro cabeludo semelhantes a uma caspa intensa;
  • irritação na área das fraldas que não melhora com os cuidados habituais;
  • pequenas depressões, manchas ou irregularidades nas unhas;
  • dor, inchaço ou rigidez nas articulações.

A coceira nem sempre está presente. Por isso, a ausência desse sintoma não exclui a possibilidade de psoríase.

Como a psoríase aparece em bebês?

Diferentemente das manifestações observadas em crianças maiores, em bebês é mais comum que ocorra a chamada psoríase da área das fraldas. Ela pode provocar uma vermelhidão brilhante, com bordas bem definidas e envolvimento das dobras da virilha.

Essas características ajudam a diferenciá-la da dermatite de contato comum. Além disso, as lesões costumam responder pouco aos tratamentos tradicionais para assaduras. Depois de alguns dias ou semanas, podem surgir alterações semelhantes no rosto, no couro cabeludo, no tronco e nos membros.

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O que pode desencadear a psoríase em crianças?

A genética tem participação importante. De acordo com a SBD, o histórico familiar é um dos principais fatores associados à psoríase infantil, embora ter pai ou mãe com a doença não signifique que a criança necessariamente irá desenvolvê-la.

Uma revisão publicada na revista Experimental and Therapeutic Medicine também aponta fatores que podem favorecer o aparecimento das lesões ou provocar novas crises, como:

  • infecções, principalmente as causadas por estreptococos;
  • estresse emocional;
  • machucados, atritos ou traumas na pele;
  • uso de determinados medicamentos;
  • excesso de peso e obesidade;
  • contato com substâncias irritantes.

A psoríase gutata, por exemplo, pode aparecer de forma repentina após uma infecção da garganta. Nesse tipo, pequenas lesões semelhantes a gotas se espalham pelo tronco, pelos braços, pelas pernas e, em alguns casos, pelo rosto.

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Como saber se é psoríase ou outra doença de pele?

Nem sempre é possível diferenciar apenas pela aparência. A psoríase no couro cabeludo pode ser confundida com dermatite seborreica, enquanto as lesões nas dobras podem lembrar micoses, dermatites ou alergias.

O diagnóstico costuma ser clínico, feito durante o exame dermatológico, e com a análise do histórico da criança. A SBD destaca que não existe um exame laboratorial específico para confirmar a doença. Mas, em situações de dúvida, o médico pode solicitar exames para excluir outras condições, como a micose das unhas, ou indicar uma biópsia de pele.

Lembrando que fotos encontradas na internet não substituem essa avaliação. Afinal, comparações visuais podem atrasar o diagnóstico e incentivar o uso de medicamentos que pioram a irritação.

Como é feito o tratamento da psoríase em crianças?

O tratamento é escolhido de acordo com a idade, a região afetada, a extensão das lesões e o impacto da doença na rotina. Nos casos leves, hidratantes, medicamentos tópicos e derivados da vitamina D podem ajudar a controlar a inflamação e a descamação.

Também pode haver a prescrição de corticoides, que exigem acompanhamento médico. O uso prolongado, principalmente em áreas extensas ou sensíveis, pode causar efeitos adversos. Por isso, o correto é evitar receitas caseiras e pomadas utilizadas por outros familiares.

Quando as lesões são mais extensas ou não melhoram com o tratamento local, o dermatologista pode avaliar alternativas como fototerapia, medicamentos sistêmicos ou terapias biológicas. Além disso, crianças com psoríase que sentem dor ou inchaço nas articulações podem precisar do acompanhamento de um pediatra ou reumatologista.

O impacto da psoríase em crianças vai além da pele

Comentários, perguntas e situações de constrangimento podem afetar a autoestima e a convivência social. A revisão publicada na Experimental and Therapeutic Medicine reforça que crianças com psoríase podem enfrentar isolamento, ansiedade, bem como sintomas depressivos.

Portanto, o acolhimento familiar, a conversa com a escola e, quando necessário, o suporte psicológico fazem parte do tratamento. Controlar as lesões é importante, mas garantir que a criança não seja definida por sua condição é essencial para o cuidado integral.

Antes de ir, aproveite e acesse o blog Dra. Carla Bortoloto e confira outras dicas de saúde, autocuidado e beleza.

Dra. Carla Bortoloto
Dra. Carla Bortoloto
Médica dermatologista, CRM-SP 122.883, formada pela UNIG (RJ). Especializou-se em Clínica Médica e Medicina Interna pela Casa de Saúde São José (RJ) e em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pela Faculdade de Medicina Souza Marques (RJ). É membro da American Academy of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clínica e Cirúrgica (SBDCC).

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