O que é verdade ou não quando se fala em alergia emocional?

Existe alergia emocional? Entenda de uma vez por todas como as emoções podem afetar a pele

Mulher olhando suas alergias na pele

Você provavelmente já notou que sua pele pode piorar em períodos de estresse intenso. Muitas vezes, sintomas aparecem e são chamados de alergia emocional. Mas esse não é o único cenário em que isso ocorre.

A relação entre emoções e saúde da pele é mais próxima do que imaginamos. Portanto, é importante entender o que realmente acontece no nosso organismo durante esse tipo de desconforto.

Afinal de contas, o que acontece durante uma crise alérgica?

Para compreender melhor a conexão entre emoções e pele, primeiro precisamos entender como funciona uma reação alérgica tradicional.

De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (a Asbai), alergias são uma resposta exagerada do corpo humano à presença de determinado elemento.

Logo, numa crise alérgica, o sistema imunológico identifica uma substância, em tese, inofensiva (como pólen, alimentos ou produtos químicos) como uma ameaça. Em resposta, dispara uma reação inflamatória para combater o invasor. A partir disso, surgem na pele sintomas como vermelhidão, coceira, inchaço e irritação.

Além disso, muitas alergias podem desencadear sintomas de natureza respiratória, gerando quadros de sinusite e asma. No mais, nos episódios mais graves, todo o organismo pode disparar essa resposta tão intensa a ponto de causar o chamado choque anafilático, que precisa ser abordado imediatamente para evitar consequências mais graves.

Uma alergia pode ser disparada pelas emoções?

Com todo esse processo em mente, entende-se que o que é chamado pelos especialistas de alergia depende da interação com algum componente do ambiente, que recebe o nome de alérgeno.

Portanto, tecnicamente não existe uma “alergia emocional” no sentido médico tradicional. Contudo, as emoções podem agravar as reações indesejadas em diversos casos.

O estresse crônico, por exemplo, pode enfraquecer o sistema imunológico e tornar a pele mais sensível aos alérgenos indesejados.

Além disso, diante de momentos de tensão, podem surgir comportamentos que pioram a saúde da pele. Alguns exemplos disso são coçar excessivamente, negligenciar a rotina de cuidados e limpeza ou ter uma alimentação menos equilibrada.

De que forma o bem-estar emocional interfere em diferentes condições dermatológicas?

Apesar de não existir uma alergia emocional, sabe-se que situações de estresse intenso podem desencadear ou piorar diversos outros quadros de pele.

Em resumo, isso se dá porque o estresse libera substâncias inflamatórias no organismo, criando um ambiente propício e favorável ao desenvolvimento de problemas de pele. Entre algumas das condições dermatológicas que têm relação comprovada com o estado emocional do paciente estão:

  • dermatites e eczemas, que pioram durante períodos de tensão, deixando a pele mais suscetível a irritações e inflamações;
  • urticárias, que frequentemente surgem após situações de tensão intensa, mesmo sem contato com alérgenos conhecidos;
  • neurodermatite, também chamada de líquen simples inflamatório, em que o ato de coçar constantemente uma região da pele dispara uma resposta inflamatória na área;
  • psoríase, uma disfunção dermatológica crônica, na qual frequentemente há um ciclo vicioso em que o estresse emocional agrava a alteração, que, por sua vez, piora o bem-estar psicológico;
  • vitiligo, que também pode ter seu desenvolvimento ou progressão influenciados por fatores emocionais, fazendo com que eles sejam gatilhos para o surgimento ou piora da perda da coloração (característica da condição).

Cada uma dessas alterações tem sintomas e métodos de diagnóstico próprios, bem como tratamentos específicos para eliminar os sintomas ou retardar sua progressão. Na dúvida, o médico deve sempre ser consultado.

Como evitar que as emoções afetem a pele?

Acima de tudo, é indispensável manter o acompanhamento regular com um dermatologista. É esse especialista que ajuda a identificar a causa da alteração e orientar sobre o melhor tratamento a depender da condição.

Em paralelo, ele pode recomendar estratégias que envolvam técnicas de relaxamento, exercícios regulares e outras alternativas valiosas que são aliadas ao tratamento de condições dermatológicas.

Adicionalmente, o acompanhamento de um psicólogo ou psiquiatra também é fundamental para tratar eventuais comprometimentos de saúde mental.

Em suma, embora a “alergia emocional” não seja um termo exatamente preciso, é impossível desconsiderar a influência das emoções sobre a saúde dermatológica. Reconhecer essa conexão é o primeiro passo para um cuidado mais completo e eficaz, que considera não apenas os aspectos físicos, mas também o bem-estar emocional como um todo.

Para saber mais sobre como prevenir e tratar alergias de pele, confira outro conteúdo que já foi destaque aqui no blog.

Dra. Carla Bortoloto
Dra. Carla Bortoloto
Médica dermatologista, CRM-SP 122.883, formada pela UNIG (RJ). Especializou-se em Clínica Médica e Medicina Interna pela Casa de Saúde São José (RJ) e em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pela Faculdade de Medicina Souza Marques (RJ). É membro da American Academy of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clínica e Cirúrgica (SBDCC).

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