
Vitiligo é o nome dado à condição de pele em que progressivamente há uma perda da pigmentação natural da superfície. Na prática, isso faz com que surjam formações similares a manchas, mas de tom bem mais claro do que o restante.
Estima-se que, mundialmente, entre 0,5% e 2% da população tenha tal condição dermatológica. De acordo com o Ministério da Saúde, até 1 milhão de brasileiros apresentam o quadro, que ocupa um posto na lista de alterações de pele mais comuns.
1. O vitiligo pode atingir pessoas de todas as idades e tipos de pele
De modo geral, o vitiligo não escolhe idade, sexo ou tipo de pele. Ou seja, ele pode surgir em qualquer fase da vida, desde a infância até a idade adulta.
Apesar disso, os especialistas concordam que seu desenvolvimento seja mais comum antes dos 30 anos. Cerca de metade das pessoas que desenvolvem vitiligo começam a notar as primeiras manchas ainda jovens.
A descoloração da pele tende a ser o sintoma mais aparente e, muitas vezes, único. Menos frequentes são relatos de sensibilidade ou dor nas áreas afetadas. Além disso, alguns indivíduos podem notar uma coceira persistente antes da perda de pigmentação começar.
O diagnóstico é, sobretudo clínico, uma vez que as manchas costumam ter um padrão de distribuição característico. A partir do momento em que a condição é identificada, ela pode ser classificada como:
- segmentar ou unilateral, em que surge apenas em uma parte do corpo e, eventualmente, em cabelos e unhas;
- não segmentar, ou bilateral, em que as alterações são notadas em todo o corpo, normalmente começando a partir das extremidades (pés, mãos, etc.).
No processo de avaliação, o médico pode ainda sugerir biópsias de pele, que permitem identificar a ausência das células responsáveis pela coloração. Além disso, o exame com o uso de iluminação específica (sobretudo para peles mais claras) também pode ser necessário.
Como complemento, podem ser solicitados exames de sangue em busca de determinadas disfunções autoimunes, como hepatites, doenças da tireoide ou em outras glândulas do corpo.
2. Não se sabe exatamente o que causa o vitiligo
A explicação mais aceita para o que desencadeia a condição é justamente um distúrbio autoimune. Em outras palavras, isso significa que o próprio sistema imunológico ataca e destrói as células responsáveis pela produção de melanina, que dá cor à pele.
Adicionalmente, pode entrar na conta para a chance de desenvolver tal alteração em algum momento da vida os seguintes elementos:
- predisposição genética, uma vez que muitos pacientes têm familiares com a condição, o que sugere um componente hereditário;
- situações de estresse crônico, que podem ser gatilhos para o surgimento ou piora das manchas;
- gatilhos ambientais como a exposição à radiação ultravioleta, a determinados produtos químicos ou mesmo um trauma ou lesão na pele;
- outras doenças autoimunes, que incluem a tireoidite de Hashimoto, o diabetes tipo 1, a psoríase e o lúpus eritematoso sistêmico, entre outras.
Ter alguém com vitiligo na família, mesmo com graus de parentesco muito próximos, não significa necessariamente também ter vitiligo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, somente cerca de 30% dos pacientes têm familiares também com a condição.
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3. O vitiligo não é contagioso, nem causa deficiências físicas
O impacto social é um dos maiores reflexos do vitiligo. Por isso, vale sempre ressaltar: ele não é contagioso de forma alguma.
Logo, não há qualquer possibilidade de algum tipo de “transmissão” por contato, seja por toque, beijo, interações íntimas ou qualquer outro tipo de convívio social.
Além disso, a doença não causa dor física nem gera outros comprometimentos à saúde do paciente de maneira direta.
Na prática, o maior impacto derivado do vitiligo geralmente é psicológico. Dados mostram que pessoas com esse diagnóstico têm mais chances de desenvolver quadros de depressão e baixa autoestima, o que pode ser pior conforme a intensidade e a distribuição das manchas (se elas estão em locais visíveis ou não).
Assim sendo, o suporte psicológico qualificado, muitas vezes com ajuda de outras áreas que não a dermatologia (como a psiquiatria e a psicologia), é indispensável.
4. Ainda que não haja cura definitiva, há várias opções terapêuticas
Hoje em dia, há diversas opções terapêuticas que podem ajudar a controlar a condição e repigmentar as áreas afetadas com boas chances de sucesso.
O tratamento tem como objetivos interromper a evolução da doença e promover a repigmentação da pele. Entre os recursos mais utilizados para isso estão:
- medicamentos aplicados sobre a pele, na forma de cremes contendo corticoides ou substâncias conhecidas como inibidores de calcineurina, que atuam para amenizar a inflamação e estimular os melanócitos remanescentes;
- fototerapia, exposição controlada à radiação similar àquela emitida pelo Sol, indicada em quase todos os casos de vitiligo;
- tratamentos sistêmicos, em que são utilizados medicamentos via oral;
- técnicas cirúrgicas, indicadas para casos estáveis que não respondem a outros tratamentos, que permitem a transposição de melanócitos ou de pequenos enxertos de pele.
Em paralelo ao tratamento, o dermatologista pode ainda indicar alguns cuidados simples, mas essenciais, no acompanhamento. Eles incluem o reforço da proteção solar e evitar roupas que causem atrito sobre a pele.
Encontrar estratégias para gerenciar o estresse, cuidar da saúde mental e repetir com a periodicidade necessária as visitas ao consultório médico são outras recomendações indispensáveis para reduzir o impacto do vitiligo sobre o bem-estar.
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