
Compreender como cabelo, pele e câncer de mama se relacionam é fundamental para que as mulheres possam se preparar melhor para essa jornada e adotar cuidados específicos que minimizem os desconfortos durante cada etapa do tratamento.
Vale sempre lembrar que, com exceção dos casos de câncer de pele não melanoma, os tumores na mama são o tipo mais comum entre as brasileiras. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, em 2022 foram registrados mais de 70 mil casos da doença.
Quais os principais impactos sobre a pele e o cabelo durante o tratamento do câncer de mama?
Os recursos utilizados para tratar um câncer de mama (seja quimioterapia, radioterapia ou qualquer outra ferramenta terapêutica) têm o potencial, cada uma a seu modo, de causar efeitos colaterais na pele, nos cabelos e até mesmo nas unhas.
Isso acontece porque essas terapias, embora sejam direcionadas para destruir as células cancerígenas, também afetam células saudáveis que se renovam rapidamente, justamente como as dessas áreas do corpo.
Efeitos da quimioterapia
De modo geral, a quimioterapia é conhecida por causar ressecamento da pele, que pode se tornar mais sensível, irritada e propensa a rachaduras. Além disso, muitas pacientes relatam:
- mudanças na coloração da pele, que pode ficar mais escura ou apresentar manchas em determinadas áreas;
- maior sensibilidade ao sol, aumentando o risco de queimaduras mesmo com exposição mínima;
- alterações nas unhas, que podem escurecer, descascar ou até mesmo se soltar, tornando-se quebradiças, fracas e propensas a infecções;
- erupções cutâneas (ou seja, feridas) em diferentes regiões do corpo.
Além disso, a perda de cabelo é uma das consequências mais temidas pelas pacientes. A quimioterapia pode causar desde o afinamento até a queda completa dos fios, não apenas do couro cabeludo, mas também sobrancelhas, cílios e pelos corporais. Todavia, na maioria dos casos, o crescimento capilar se reinicia após o término do tratamento.
É importante ressaltar que a intensidade de todos esses efeitos varia de acordo com o medicamento quimioterápico utilizado, bem como o número de sessões de administração dos medicamentos.
Impactos da radioterapia
A pele da região tratada pode apresentar reações semelhantes a uma queimadura solar por conta da exposição à radiação localizada. Outros sintomas comuns incluem:
- vermelhidão e irritação na área irradiada;
- descamação, que pode variar de leve a intensa;
- hiperpigmentação, que às vezes persiste por meses após o término do tratamento;
- ressecamento e coceira localizados.
Adicionalmente, a chamada radiodermatite (ou radiodermite) é uma das complicações mais frequentes da radioterapia, caracterizada por uma inflamação da pele na área que recebe a radiação.
O corpo desenvolve essa condição gradualmente ao longo das sessões de tratamento, com diferentes níveis de severidade. Estudo publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia demonstrou que em um grupo de 113 pacientes, 98% desenvolveram o quadro em algum grau.
Nos casos mais leves, a radiodermatite se manifesta como vermelhidão e leve descamação. Já em situações mais severas, podem surgir bolhas e feridas abertas. Geralmente, essa reação é temporária e, com os cuidados adequados, a pele tende a se recuperar completamente após algumas semanas do término da radioterapia.
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Cuidados que podem amenizar essas queixas
Embora nem sempre seja possível evitar completamente os efeitos colaterais dos tratamentos oncológicos, existem estratégias específicas que podem minimizar o conjunto de desconfortos. Entre as medidas mais básicas estão:
- garantir a hidratação da pele com produtos específicos para peles sensíveis, sem fragrâncias ou componentes irritantes;
- optar por sabonetes suaves e de pH neutro;
- preferir sempre banhos mornos e evitar esponjas ásperas;
- aplicar protetor solar com FPS 30 ou superior diariamente, mesmo em ambientes internos ou durante o inverno;
- evitar exposição solar nos horários de pico (entre o meio da manhã e o meio da tarde).
No caso da radioterapia, depois das sessões deve-se usar apenas produtos recomendados pela equipe médica na área tratada e manter o local sempre limpo e seco, mas sem jamais esfregar com muita força. Recomenda-se também:
- aplicar compressas frias para aliviar desconforto e queimação na região irradiada;
- usar sempre roupas macias e evitar peças apertadas que causem atrito com a pele.
Com relação ao cabelo, a paciente pode considerar cortá-lo antes do início da quimioterapia para amenizar o impacto da queda dos fios. De qualquer maneira, ainda é fundamental aplicar protetor solar no couro cabeludo exposto e sua proteção com chapéus, lenços e bonés ao sair de casa.
A importância do acompanhamento dermatológico especializado
Junto do apoio de oncologistas e mastologistas, é importante ter acompanhamento de um dermatologista durante o tratamento. Esse especialista pode orientar sobre cuidados preventivos específicos e tratar rapidamente qualquer complicação que possa surgir com a pele e os cabelos.
De modo complementar, essas medidas são relevantes para evitar a interrupção do tratamento ou a diminuição das doses dos medicamentos por conta da intensidade dos efeitos colaterais.
Por fim, para o devido acompanhamento da relação entre pele e câncer de mama, qualquer alteração na superfície cutânea deve ser comunicada à equipe médica. Isso permite que as modificações sejam avaliadas adequadamente e tratadas de forma apropriada o quanto antes.
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